Como festivais e megaeventos moldam a população e marcam gerações?

O que festivais internacionais como Woodstock, Tomorrowland ou Glastonbury têm em comum com megaeventos brasileiros, como Rock in Rio, Lollapalooza e Hollywood Rock? Além do fato de serem eventos musicais e culturais voltados para públicos jovens e antenados, esses festivais de grande porte acabam ajudando a moldar sua geração, marcando a vida dessas pessoas de variadas maneiras.

Jovens entre 18 e 25 anos costumam ser o grupo de pessoas com maior capacidade de inovação no que diz respeito à quebra de costumes engessados, rendendo mudanças de pensamento e comportamento em toda a sociedade. Por isso há tanto choque entre gerações de tempos em tempos: os jovens de antigamente, que mudaram sua época, acabam se tornando ultrapassados quando uma nova geração chega contestando seus valores. E esse choque é visto com ainda mais intensidade em tempos de internet e redes sociais, em que qualquer pessoa com acesso à rede pode garantir que suas ideias sejam disseminadas.

Festivais na geração de nossos pais e avós

No século passado, o mundo esteve em frangalhos nos períodos de guerra, mas houve uma explosão populacional após o fim da Segunda Guerra Mundial. E essa geração de bebês nascidos no pós-guerra foi chamada de “baby boomers”, crescendo ao longo dos anos 1940 e 1950 e promovendo uma conscientização internacional nas décadas de 1960 e 1970 a respeito de questões sociais, políticas, raciais e sexuais. Fazem parte dessa geração os hippies, que defendiam ainda a paz e o amor. Essa filosofia revolucionária para sua época ficou marcada pelo Woodstock – festival de música e artes realizado em agosto de 1969 nos Estados Unidos. O lendário evento reuniu mais de 400 mil pessoas em um clima misto de diversão e contestação, em busca da liberdade, tornando-se até os dias atuais um dos maiores momentos da história.

Já as crianças nascidas entre os anos 60 e 70 ficaram conhecidas como a “geração X”. Essa geração gozou de um poder aquisitivo maior do que a geração anterior e, consequentemente, acabou valorizando mais sua individualidade no lugar da coletividade difundida pelos hippies. No entanto, em países comandados por uma ditadura militar e repressora (como o Brasil), os jovens dessa geração foram responsáveis pela realização de festivais musicais para valorizar a arte local, juntamente com mensagens políticas e a favor da liberdade de expressão. Os shows de talentos tomaram conta da programação das rádios e televisões, e o primeiro Rock in Rio chegou em 1985, apenas dois anos após o encerramento do regime militar no Brasil.

Fetsivais da nossa geração

Já quem nasceu na década de 1980 foi chamado de “geração Y”. Essa geração conflituosa marca uma época de grande avanço tecnológico, seguido de uma grande e rápida evolução de hábitos e comportamentos. O acesso à informação é muito valorizado por essa geração, sedenta por conhecimento, mas um tanto ansiosa. É a geração do “eu quero tudo e quero agora”, e a explosão de grandes festivais musicais nesse período não seria mera coincidência: ávida por consumir e descobrir sempre mais, a geração Y prestigiou e passou a produzir eventos musicais grandiosos, para todos os estilos, com uma frequência nunca antes observada.

Por fim, os nascidos após os anos 1990 fazem parte da “geração Z”, já nasceram na era da informática e da internet. Diferentemente da geração anterior, que cresceu junto com o surgimento dessas novidades, a geração Z é chamada de “nativa digital”, como se a web fizesse parte de sua natureza. Altamente globalizados, esses jovens não se prendem a barreiras que ainda impediam a geração Y de propagar suas ideias. Por isso, se atraem por festivais com um “quê” diferente, como aqueles que trazem influências de celebrações orientais, ou ainda eventos altamente tecnológicos realizados simultaneamente em diversas partes do mundo, promovendo grande miscigenação cultural.

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